Fraude de investimento como rede: bloquear pagamentos individuais já não é suficiente
Análise2026-09-01, 12:02
A Group-IB publicou um estudo sobre como os esquemas modernos de fraude de investimento estão a evoluir para redes de infraestrutura em grande escala. O principal desafio para bancos e sistemas antifraude é que muitas transferências são tecnicamente legítimas: a vítima autoriza a transação ela própria. Como resultado, detetar fraude apenas na fase da transação é muitas vezes tarde demais.
Os investigadores analisam duas operações como exemplos:
GoldBull — manipulação de ações legítimas. Os atacantes usam publicidade baseada em deepfake para redirecionar utilizadores para grupos de WhatsApp, onde os persuadem a comprar ações ilíquidas. Num caso, a compra em massa fez o preço subir 12,4%, após o que os fraudadores venderam ações que tinham adquirido antecipadamente, e o seu valor caiu posteriormente cerca de 42%. Em cada uma dessas campanhas, as vítimas investiram coletivamente cerca de 1,5–3 milhões de dólares.
CoinLure — uma rede de plataformas de investimento falsas. Os utilizadores são atraídos através de resultados de pesquisa, publicidade em redes sociais e esquemas de romance, sendo depois redirecionados para sites de investimento fraudulentos. Quando tentam levantar o dinheiro, enfrentam “impostos” adicionais, “taxas de seguro” e outras exigências; após a perda dos fundos, as vítimas podem até receber ofertas de ajuda paga para recuperar o dinheiro. Uma análise de uma dessas plataformas identificou 208 domínios ligados por uma infraestrutura partilhada; a receita combinada estimada do cluster CoinLure excede 187 milhões de dólares.
Ambos os exemplos mostram que detetar fraude apenas quando os fundos são transferidos pode ser insuficiente: nessa altura, a vítima já está envolvida no esquema e autoriza a transação ela própria. A Group-IB recomenda, portanto, considerar indicadores que possam expor atividade fraudulenta mais cedo:
Reutilização de infraestrutura. Alojamento partilhado, domínios, carteiras de criptomoedas, contas de destinatário e detalhes de contacto podem ligar incidentes individuais numa única rede e ajudar a identificar novos recursos fraudulentos.
Alterações nos padrões de utilização de aplicações de pagamento. Horários de sessão invulgares e outras alterações no comportamento normal do cliente podem servir como indicadores de risco adicionais, especialmente quando coincidem com sinais de uma campanha de fraude ativa.
Partilha de sinais no setor financeiro. Dados sobre destinatários suspeitos, dispositivos e infraestrutura podem ser usados para identificar esquemas ligados e contas de intermediários antes de ocorrerem as principais transações fraudulentas.
A investigação mostra que detetar eficazmente esquemas modernos de fraude de investimento exige analisar toda a infraestrutura conectada, não apenas transações individuais. À medida que um esquema cresce, os atacantes reutilizam cada vez mais domínios, contas, carteiras e modelos técnicos, deixando ligações persistentes entre diferentes incidentes. Isto torna possível detetar uma campanha de fraude mais cedo — antes de os fundos serem transferidos.
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